terça-feira, 31 de março de 2009

Esclarecimentos

Caros leitores,

Estivemos em São Jorge (Chapada dos Veadeiros - GO) nos vinte dias e com muitas dificuldades com a internet, principalmente para postar materiais os mais pesados que preparamos. Acabamos de chegar em Brasília. Amanhã tentaremos postar os vídeos que fizemos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ainda dos porquês da arte tradicional

Resistência e alternativa



Gostaríamos de abordar um pouco mais os motivos que nos movem ao encontro das artes tradicionais. Cremos que a imposição do modelo predominante de desenvolvimento, fundado na idéia de progresso, na busca de lucros imediatos e na imposição da indústria cultural tem alterado radicalmente a produção material e simbólica das comunidades tradicionais e suas manifestações artísticas.
A manifestação artística tradicional faz parte da vida geral da comunidade. Resiste e se contrapõe a vários aspectos da ordem capitalista, negando a lógica do mercado e reintroduzindo um universo, considerado por muitos como “despudorado e irracional”. Ao analisar elementos da festa popular brasileira, Roberto Da Matta afirma que essa festa “[...] incita a um abandono do individualismo, quando pede proteção mágica contra um mundo que, ao contrário do que assegura o credo burguês, não é nem linear, nem racional [...] Finalmente, porque as festas negam o poder do mercado, do dinheiro, e de um tipo de racionalidade (capitalista) que constrói os preços e o mundo.”
A construção dos preços e do mundo tem se intensificado com o processo de globalização. Porém, como nos alerta Renato Ortiz, a dita globalização é uma falsidade que aparece como verdade, uma vez que, de fato, não existe um intercâmbio econômico e cultural equilibrado entre todos os países. O que se observa é uma mundialização da cultura do consumo, que ao se tornar impositiva leva a um desmantelamento de modos de vida tradicionais que ainda carregam em si elementos que não fazem parte dessa lógica (capitalista). Esse desmantelamento dá-se no plano cultural e ideológico, em particular pela indústria cultural e pelos meios de comunicação de massa.

Tais meios de comunicação de massa, na afirmação de Maria Nazaré Ferreira, atuam, por um lado, na desintegração dos “[...] valores culturais, históricos, morais, éticos e estéticos dos povos latino-americanos, e, de outro, globalizam, homogeneizando gostos e costumes”. Em outras palavras, a cultura hegemônica (que se impõe e prevalece) se alarga cada dia mais, “mundializando” a cultura do consumo e o modo de vida capitalista e perpetuando uma relação predatória com a natureza. Há, nesse sentido, um desmantelamento dos modos de vida tradicionais e a desintegração de valores culturais que trazem em si as formas de explicação, compreensão do mundo e vivência diferentes daquelas defendidas pela cultura que prevalece e se impõe na maior parte do mundo atual. Ao passo que nesse ultimo tipo de cultura (capitalista), está presente o individualismo, a concorrência e a depredação da natureza. Nas culturas tradicionais encontram-se valores tais como a reciprocidade, a troca, o respeito ao outro e à biodiversidade, que podem servir na busca por um novo paradigma (parâmetro/modelo) de construção social.


Piau

quarta-feira, 18 de março de 2009

O sentido da comunicação


Informações técnicas no mundo Caipira


Lembrei-me de um fato divertido.

Depois de ter quebrado o dedo do pé no carnaval fui a hospital em Taubaté. O médico me atendeu e disse que assim que chegasse em Uberlândia procurasse um ortopedista para fazer o acompanhamento. Chegando fui ao médico. Ele, como bom médico mineiro, explicou toda minha situação, em termos muito técnicos:­. Abaixo reproduzo, mais ou menos, o diálogo com o dito doutor.

Médico: Uai seu moço, que ocê aprontou?


Eu: Caí e provoquei uma luxação no dedo.­­

Médico: Óia, não há de vê que o trem tá bão, tá sequim, sequim

Eu: Doutor, como não tá dolorido, parei de tomar remédio pra dor.

Médico: Isso mesmo, toma não. Isso é tudo veneno, toma não! Depois vai virando uma inhaca no seu estômago vira um peteco.

Médico: Ó, vou fazê de novo o curativo, pro dedo ficá queto, mais num dexa moiá não. Machucado e umidade num cumbina. Inflama, istora os ponto, fica aquela gosma amarela saindo, o trem abre que nem uma flor, ai dá uma trabaiera danada. Dexa moiá, não!

Médico: Quer uma licença (explico que estou fazendo uma pesquisa)

Eu: Dr, posso continuar viajando e trabalhando?

Médico: Pode sim, tranqüilo. Só num apoiar com o dedo machucado e num deixar úmido, tá tudo certo.

Sexta em Brasília ocê tira os ponto, tá bão?

Médico: Ó, gostei docê. Bom trabalho e boa viagem.

O trem bão ser atendido por um doutor caipira, a gente se sente muito bem informado.

Piau.

VIDEO BARRA DO RIBEIRA

quarta-feira, 11 de março de 2009

Fragmentos de um carnaval









... Em São Luiz do Paraitinga e no bico do corvo












































































































































































































































FORMAÇÃO DO CARÁTER (do blog)

... e a arte tradicional


Faz alguns dias conversamos um pouco sobre o caráter desse blog (a bem da verdade o caráter está se definindo no processo). Mas até o momento achamos que devemos buscar um equilíbrio, pois são vários os possíveis leitores: os amigos que querem saber como e onde estamos, os colegas pesquisadores que querem acompanhar e compartilhar experiências, gente interessada em arte e cultura popular, curiosos aficionados em viagens...enfim várias pessoas, vários perfis. Chegamos a um consenso, não queremos ser demasiados chatos.

A idéia é diversificar, usar vídeos, fotos, textos e áudios. Em relação aos textos, também diversificar. Crônicas, poemas, textos sobre coisas divertidas e também textos mais “acadêmicos,” sem cair numa coisa muito fechada, numa leitura demasiadamente complicada.

Assim sendo, quero usar um pouco o espaço acadêmico, falar sobre os porquês de estudar manifestações artísticas de tradição oral. Tomara que não me torne muito complicado e nem muito chato.


As comunidades tradicionais, formadas por setores marginalizados da sociedade, produzem o que chamamos de Cultura Popular ou de folclore. O folclore é um tipo manifestação popular dinâmica que tem uma função no contexto no qual está inserida e é transmitida de geração a geração principalmente através da oralidade. Várias manifestações culturais (que geralmente não chamamos de arte) destas comunidades se relacionam a uma maneira deviver onde o que é feito e como é feito tem um caráter artesanal. Tal maneira de viver difunde valores como solidariedade, espírito coletivo e respeito à natureza, próprios deste tipo de economia. A arte produzida por esta gente não se especializou, não se transformou em algo cujo único objetivo é ser produzida para o mercado e ou para ser apreciado em um museu ou teatro. Ela cumpre uma função social, compõe o imaginário popular relacionando-se com outros aspectos da vida social das comunidades. Neste tipo de manifestação artística a forte relação entre natureza e cultura cria uma lógica própria que difere da lógica racionalista, na qual predominariam os interesses das elites econômicas, dos donos dinheiro.



A relação com as lendas e os mitos é uma das maiores características da arte popular. O antropólogo Roberto da Matta afirma que a forte presença dos elementos míticos nesse tipo de manifestação demonstra uma visão “holista” do mundo, na qual a natureza e a cultura, os mortos e os vivos, o mundo real e o mundo imaginário se relacionam de forma intensa. As festas reafirmam, portanto, um mundo encantado, opondo-se, dessa forma, à lógica racionalista da sociedade capitalista, na qual predomina a busca pelo lucro, evidente, por exemplo, nas festas oficiais e nos grandes eventos criados pela indústria cultural. O popular reintroduz, no mundo individualizado capitalista, a “velha generosidade da troca”, na qual os seres humanos, como pessoas, filhos, amigos e parentes, têm a obrigação de dar e receber. Segundo da Matta“Eis uma tradição que resiste tanto em se transformar em cultura de massa, quanto protesta contra a visão aristocrática que vem de cima.”

Depois de visitar o Ponto de Cultura Centro de Cultura Caiçara, na Barra do Ribeira/Juréia – Iguape, estas considerações adquirem, para nós, novas dimensões. Estamos tentando postar um vídeo onde pessoas de lá falam de coisas importantes para refletirmos sobre o que foi dito acima, por Roberto da Matta.
Piau

quinta-feira, 5 de março de 2009

Da série poeminhas e poemeus




ATENTADO NA TRILHA




Socorro,
morro.


(Piau )






quarta-feira, 4 de março de 2009

DEPOIS DA PAUSA....

DEPOIS DA PAUSA...

Parte dos foliões, na sexta-feira de carnaval. Os outros onze ficaram fora da foto, mas não da folia.

Caros companheiros de viagem,

depois de uma pausa momontânea – de Rei Momo mesmo – estamos de volta.

O trabalho na Barra do Ribeira/Iguape foi surpreendentemente bom. Satisfaz saber que o dinheiro público está em boas mãos. Mãos calejadas de caiçaras de sorrisos sinceros. Gente simples e arrojada, corajosa e sensível. Séria nos compromissos e alegre na essência. Bons caipiras do mar (ou nós que somos caiçaras do interior?). Obrigado família Prado, todas as gerações, por nos surpreender e por nos fazer sentir em casa. Ficamos com saudade!



Pedro, da Associação de Jovens da Juréia, manuseando a câmara sob a supervisão das meninas. Foto Piau.


Aproveitando os agradecimentos. Obrigado San e Ricardo, Tamis, Bió e Aline, Yuri e Luciana e a família do João pela acolhida em São Paulo. Na Sampa-babilônia é sempre bom saber que temos um porto carinhoso, depois de noites de Rua Augusta e de Lapejus, Ecléticos e Gambiarras (lugares de danças e conversas). Depois das boas boemias boas ou do stress do dia a dia, tivemos sempre um bom ninho onde pousar. Obrigado nossos anfitriões em Bauru, Rose (mãe da Camila) pelo carinho e cuidado (e pela Camila!) e Eric, da casa de sonho, não só pela hospedagem generosa, mas principalmente por sua sensibilidade, por ser o ser humano que você é. Continue garimpando sonhos. Muchas gracias Wladi, Carmen e Bruna, por tudo sempre e agora pela gostosa casa da Barra/Iguape. Graças à sugestão e disposição em nos ajudar, pudemos conhecer a Associação de Jovens da Juréia e seu trabalho cultural.


Perto de Ubatuba, parada para um mergulho. Foto Piau



Depois da Juréia, um espetáculo visual pela Rodovia Rio/Santos, um mergulho refrescante em uma bela praia perto de Ubatuba, a subida da Serra do Mar e São Luiz do Paraitinga para o Carnaval.


Nosso lar no Carnaval. Foto Karlinha.

Alugamos uma casa e conseguimos formar uma bela concentração de gente boa. Foi muito bom reencontrar velhos amigos de folia e fazer novos amigos, amigos dos velhos amigos. Como é bom o carnaval. Como é bom ser brasileiro! Breve fotos e vídeos da folia.


Istrupiado, mas na ativa. Com o pessoal na beira do rio. Foto Bruna Muriel Huertas.


Uma pequena frustração: arregacei o dedo do pé esquerdo, com direito a uma ponta de osso branco para fora, na primeira noite de Carnaval. Hospital, preocupação, anestesia, carinho, pontos, solidariedade e de volta pra casa curativado. Três dias sentado e paparicado. Mesmo sem poder sair de casa, foi um período doce e divertido. A contagem regressiva para o próximo carnaval já começou. Parangolé neles!


Bom, depois de uma passagem por Uberlândia para rever minha amada família, estamos em Brasília, com minha “outra” amada família. Algumas compras, concertos no carro e uma bela entrevista no Ministério da Cultura com Célio Turino, responsável pela proposta e implantação do Programa Cultura Viva (rede de pontos de Cultura), um dos nossos objetos de estudo. Acampados no quintal da novela das oito, nos preparamos para ir para a Chapada dos Veadeiros.

Após um ano, como é bom passar estes últimos sete dias "nas minhas casas".

Piau